segunda-feira, 24 de março de 2014

UMA CONVERSA LIBERTADORA!

No começo do ano de 2011, me matriculei num curso teológico na cidade de São Paulo. A experiência de adentrar um ambiente acadêmico e teológico, tem me desafiado a pensar de forma autêntica aquilo que todo mundo comumente pensa. A própria essência do labor teológico  é o pensamento autentico e pratico onde se organiza aquilo que se pensa sobre Deus, o homem e a relação Deus/homem. Um dos assuntos sobre os quais mais tenho pensado é sobre a vontade e soberania de Deus. Desde muito cedo, aprendi na escola bíblica dominical, que Deus tem uma vontade específica para todas as pessoas e que, o grande segredo da vida, seria o descobrimento e a experimentação dessa vontade. Seguindo esse conceito teológico, é que muitos jovens ainda hoje, oram juntos antes de namorar, e se descabelam para escolher uma profissão. No ano de 2007 chegou em minhas mãos o livro: “Como fazer  e compreender a vontade de Deus”, dos autores,  Garry Friessen e Robin Maxson. Para mim, ler esse livro, foi como ter tirado uma venda dos olhos, sobretudo no que diz respeito a esse assunto da vontade de Deus.  Segundo os seus autores, a vontade de Deus para nós, é que andemos em seus caminhos em concordância com a sua Palavra. O que passar disso, é decisão pessoal de cada um. Portanto, se hipoteticamente estou querendo namorar, e tenho como opções, duas moças, sendo uma loira e a outra, uma moreninha, não devo orar a Deus pedindo esclarecimento sobre qual delas é a opção correta para mim. O que preciso fazer numa situação dessas, é escolher  a opção que melhor se encaixa no meu perfil. Deus não me castigará se eu optar por aquela que mais me agrada. A vontade de Deus sempre passará pelo o crivo de nossas escolhas, diz Garry Friessen e Robin Maxson. Após o contato com essa obra teológica, me senti mais leve e mais desencanado em relação a vontade de Deus para minha vida. Mas, ainda assim guardei algumas dúvidas e suspeitas em relação a esse assunto. Uma grande dúvida que ainda continuei abrigando na mente e no coração, foi sobre a relação entre soberania de Deus e o livre-arbítrio humano. “Se Deus está sujeito as minhas escolhas e decisões pessoais, então Deus está preso a postulados teológicos e por definição ele não é soberano”. Essa era a minha suspeita em relação a essa forma de se pensar a vontade de Deus. Entendi o conceito da vontade de Deus expresso no livro “Como fazer  e compreender a vontade de Deus”, como sendo o mais bíblico e racional. Mas, ainda não estava disposto a amarrar Deus nesse posicionamento teológico. A minha libertação, ou seja, o esclarecimento das minhas dúvidas e suspeitas, se deu por meio de uma conversa libertadora que tive com um grande amigo, há  uns quatro anos. Estávamos saindo de uma culto de domingo, em nossa igreja e enquanto conversávamos no caminho de volta para casa, chegamos ao assunto da vontade de Deus. Naquele momento, uma "ficha caiu" na minha mente, e assim, amadureci as minhas idéias e conceitos a respeito do tema, chegando a algumas conclusões. As conclusões a que cheguei foram as seguintes: Deus quer que tomemos decisões sérias e maduras e para nos ajudar nesse processo, ele escolheu respeitar o nosso livre-arbítrio. Inferi também, que a vontade de Deus está envolta por um paradoxo. Deus comumente não opera através de uma vontade específica, mas em muitos casos, ele assim o faz. Deus é soberano. Sua soberania implica em desfazer regras e postulados teológicos. Ele é o Deus que lhe permite escolher a loira ou a moreninha, abençoando-o independente de qual seja a sua escolha. Mas, ele também é o Deus que direciona você a escolher a loira ou a moreninha, abençoando-o conforme a sua escolha. Pense e amadureça, mas, não tente prender Deus em nenhuma doutrina ou regra teológica. Lembre-se: Deus não pode ser estudado! Siga o Cristo crucificado!    

quarta-feira, 12 de março de 2014

CHEGA DE CLICHÊS!

Sempre que alguém passa por experiências de sofrimento, uma frase clichê sempre é dita por algum cristão como uma forma de defesa divina. A frase é:“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Sim, é verdade que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (como está escrito em Romanos 8.28), mas dizer essa frase com o objetivo de defender a Deus ou com o intuito de ser religiosamente correto, é hipocrisia, para não dizer sadismo. Dizer que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, seria a solução para uma mãe que se encontra transtornada por receber a notícia de que a sua filhinha de quatro anos de idade fora molestada por seu próprio marido? Seria misericordioso dizer isso? Creio que esse seja o grande problema dos cristãos. Temos a tendência de oferecer respostas prontas para toda e qualquer situação. Na maioria das vezes não nos importamos muito com o coração humano, nos importamos apenas com o cumprimento da velha cartilha religiosa que aprendemos a decorar desde a nossa infância. Se realmente prestássemos atenção nas palavras de Jesus, não cometeríamos erros como esse. Jesus deixou bem claro em seu ensino, que a misericórdia está acima de qualquer regra moral ou de qualquer cumprimento legal. Ser cristão é ser como Cristo. Ser como Cristo é ser misericordioso. Precisamos exercer misericórdia em todas as situações da vida, sobretudo nas mais calamitosas. Ao invés de recitar versículos bíblicos para vitimas de situações trágicas, ofereça um abraço apertado ou sirva-os com os seus ouvidos. Tenha certeza de que atitudes como essas irão além de qualquer cumprimento legal. Para o sofredor, Romanos 8.28 realmente fará sentido quando for encarnado através de braços estendidos ou de olhares não julgadores. Onde há um espírito quebrantado, Deus ali está. Onde Deus está não é necessário palavras. Neste novo ano exerça misericórdia. Pense nisso! Siga o Cristo Crucificado!
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