quarta-feira, 15 de maio de 2019

AS REDES SOCIAIS PODEM DESTRUIR A SUA VIDA ESPIRITUAL!

Por n motivos, as redes sociais podem minar a sua espiritualidade. Esta não é uma inferência, dedução ou suposição, ao contrário, é uma triste constatação. As redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter) são em sua estrutura, dispositivos de modificação de comportamento. Por exemplo, quando você recebe um like ou quando alguém comenta em sua foto ou em sua postagem, uma pequena dose de dopamina é liberada em seu cérebro, o que lhe dá uma ótima sensação de bem-estar. Isso é chamado por especialistas da área de comunicação, de circuito de feedback de validação social. Tal circuito de validação social, explora uma vulnerabilidade da psicologia humana, o que muda a nossa relação com a sociedade e uns com os outros. Por exemplo, você já ficou chateado com um amigo, por ele não ter curtiu aquele seu post? O circuito de feedback de validação social entrou em cena. A coisa é tão séria, que o primeiro presidente do Facebook, Sean Park, se pronunciou em palestra recente, dizendo que as redes sociais são nocivas para as crianças, podendo alterar o nível de produtividade humana [1]. Essa é uma das razões pelas quais as redes sociais podem ser nocivas para a sua espiritualidade. Outra razão e creio ser a mais séria, é que as redes sociais agem como se fossem produtoras de propósito. Segundo o Jaron Lanie, um dos fundadores da chamada Realidade Virtual, as empresas de tecnologia do Vale do Silício partem do pressuposto de que otimizar é o propósito da vida[2]. Para as mesmas empresas, tudo é informação. A título de exemplo, o Google declara abertamente em sua declaração de missão que seu intuito é organizar toda informação do mundo[3]. Portanto, dentro da cultura tecnológica, a declaração de missão do Google é interpretada como organizar toda a realidade. O que por si, já é um postulado religioso. Seguindo a lógica, o propósito de nossas vidas agora é otimizar. Isso, com certeza, aponta para uma nova religião. Declaração semelhante e assustadora vem do Facebook. Uma recente revisão em sua declaração de propósito inclui assegurar que cada pessoa tenha um senso de propósito e comunidade[4]. Presume-se então, que se uma empresa assegura um propósito para vida de alguém é porque as pessoas não o possuíam anteriormente. Assustador, não? Os exemplos são infindáveis. As redes sociais, a meu ver, se levantam como uma nova religião. Uma religião que pratica um imperialismo metafísico, que nos afasta de nossa verdadeira espiritualidade. As implicações disso para a nossa fé são trágicas. Em servidão as redes sociais, nos deixamos moldar por uma nova ética. Não mais por uma ética social que atua para a manutenção do bem-estar da vida humana. Agora a ética que nos domina é a ética da imagem que privilegia o virtual em detrimento do real. Assim, deixamos de lado a religião que agrada Deus, que é cuidar dos vulneráveis desta terra e não se deixar dominar pela corrupção do mundo. Nos preocupamos com imagem, seguidores e likes. Como Deus só pode ser amado e experimentado no encontro com outro, então nos esquecemos dele. Reavalie o modo como você se relaciona com suas redes sociais. Elas podem minar a sua vida espiritual.

NOTAS

Foto: Unsplash (2019)

[1] Disponível em: <www.businessinsider.com/new-facebook-mission-statement-2017-6>. Acesso em: 15 maio de 2019.

[2] Lanier, Jaron. Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. Rio de Janeiro: Intrínsica, 2018

[3] Disponível em: <http://time.com/574/google-vs-death/>. Acesso em: 15 de maio de 2019.

[4] Disponível em: <www.businessinsider.com/new-facebook-mission-statement-2017-6>. Acesso em: 15 maio de 2019.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

O PECADO AJUDA NO CARÁTER!

Em 2015, David Brooks, colunista do The New York Times, publicou “The Road to Character” (em português, O caminho para o caráter), livro magistral que aborda o modo como a sociedade contemporânea concebe o conceito de pecado. Brooks, apesar de não se considerar religioso, defende a ideia de que a noção de pecado é essencial para que se tenha uma visão honesta da natureza humana. Segundo o jornalista, hoje a palavra “pecado” perdeu o poder e fantástica intensidade. É geralmente mais usada no contexto de sobremesas que engordam. A maior parte das pessoas nas suas conversas cotidianas não fala muito sobre o pecado individual[1]. Infelizmente, a falta da noção de pecado individual reflete na construção do nosso caráter. Isso porque, de acordo com a ortodoxia cristã, amparada na Bíblia Sagrada e no pensamento de Agostinho (pecado original), o pecado é congênito no ser humano. Logo, o mal humano, não se localiza em gênese, nas estruturas da sociedade desigualdade, opressão, racismo, e por aí adiante mas dentro do peito humano. Tal entendimento nos torna responsáveis diante de nossas ações, pois, desde tempos imemoriais, as pessoas granjearam glória com grandes conquistas externas, mas construíram caráter lutando contra os seus pecados internos. As pessoas tornam-se sólidas, estáveis e dignas de respeito próprio porque derrotaram ou pelo menos lutaram com os seus próprios demônios. Sendo assim, o conceito de pecado é uma peça necessária em nossa mobília mental e com ele o método tradicional de construir caráter é edificado. A noção de pecado não é cara apenas ao discurso religioso. É também necessária para o bom andamento das relações sociais. Caso contrário, o mal tão presente no mundo, se banaliza, como já alertara Hanna Arendt[2].

NOTAS

Foto: Unsplash (2019)

[1] Brooks, David. O caminho para o caráter. São Paulo: Marcador, 2016

[2] Arendt, Hanna. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das letras, 1999

domingo, 12 de maio de 2019

"THE SOCIETY" E OS ADOLESCENTES.

No último sábado assisti alguns episódios de The Society, a mais nova série teen da Netflix. A série tem como sinopse um grupo de adolescentes duma pequena cidade dos Estados Unidos, que em razão de um surto viral são transportados para uma cidade maquete sem a presença de adultos. Nessa realidade, eles tentam formular uma nova estrutura social. O seriado tem como proposta refletir o conteúdo de O senhor das moscas, livro clássico de autoria de Willian Golding. A capacidade de entretenimento da série é muito boa, mas o que realmente me chamou a atenção em The Society é a ideia de uma sociedade composta só por adolescentes. Fiquei imaginando a viabilidade dessa hipótese e suas implicações sociais. Como seria uma sociedade sem a presença de adultos? Haveria divisão social do trabalho e novos códigos de ética? As relações sociais seriam movidas apenas por pura paixão? Que tipo de moralidade permearia cotidiano? Estas e outras questões surgiram em minha mente enquanto assistia The Society. Penso que uma sociedade sem a presença de adultos seria um verdadeiro caos. Digo isso baseado em constatações científicas. Em seu livro O cérebro adolescente, a professora e diretora do departamento de neurologia da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, Frances E. Jansen, sustenta que "o sistema cerebral de um adolescente é quase como uma Ferrari novinha: está preparada e abastecida, mas ainda não passou pelo teste de pista"[1]. Isso porque segundo estudos recentes da neurologia, o cérebro adolescente ainda passa por estágios de desenvolvimento. O processo de desenvolvimento do cérebro adolescente afeta áreas como aprendizado, estresse, tomada de decisões, qualidade do sono, memória e propensão ao vício. Conforme Frances E. Jansen, por conta de sua estrutura cerebral circunscrita, adolescentes não são resilientes aos efeitos das drogas como se pensava e têm capacidades de concentração e assimilação prejudicadas pelas tão famosas multitarefas. Sendo assim, reitero a minha falta de fé numa hipotética sociedade teen, sem a presença de adultos. Adolescentes são vulneráveis. Precisam dos adultos para viver em sociedade, de tal modo que não podemos superestimá-los ou negligenciá-los como muitas vezes o fazemos essa é uma das grandes lições de The Society. Em contrapartida, precisamos entender que sem a presença dos adolescentes as sociedades humanas não prevalecerão. As grandes transformações sociais ocorrerão por meio deles. O nosso futuro depende dos adolescentes. O modo como nos relacionamos com eles repercutirá no tipo de sociedade que teremos. The Society é um ótimo ponto de partida para esta reflexão.


NOTAS

Foto: observatoriodocinema (2019)

[1] Jensen E. Frances. O cérebro adolescente. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016

sábado, 11 de maio de 2019

UM ABRAÇO DE UMA MÃE PODE TRANSFORMAR UM FILHO.


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Era um sábado de carnaval. 6 horas da manhã se não me falha a memória. Lembro-me como se fosse hoje. Eu tinha passado a madrugada na gandaia. Havia bebido muito. Carregado pelos meus amigos, fui deixado na esquina de minha casa. Estava com 16 anos na época. Orava a Deus para que ninguém me visse naquela situação quando dei de frente com minha mãe. Ela estava indo para o trabalho. Fiquei assustado, envergonhado, sem reação. Esperei uma reprimenda. Ela, amorosa como sempre, me abraçou e disse que me amava. Aquela cena me marcara profundamente. Tanto que até hoje posso recordar aquele abraço e aquela doce voz ao meu ouvido. Minha mãe é o maior exemplo cristão que tenho. Desde muito cedo fui impactado por sua vida. Me recordo dela me ensinando a orar e a ler a Bíblia, antes de dormir: — Filho, peça para que o Espírito Santo ilumine os seus olhos. 

Nunca vi minha mãe com mágoa de ninguém. Sempre mansa e tranquila. Sempre servindo as pessoas com muito amor. Minha mãe investiu muito na minha vida e na de meus irmãos. Ao lado de meu pai, fez de tudo para que tivéssemos o que ela mesma nunca pôde ter. O Senhor honrou o seu testemunho. Os seus quatro filhos se tornaram homens de bem. Estudaram. Se casaram. Lhe deram netos. A fé da minha mãe lhe rendeu dois filhos pastores. Eu sou um deles. Após aquela experiência de carnaval, fui para o meu quarto e não consegui dormir. Fiz uma oração: “Senhor, ajuda-me a não mais entristecer minha mãe". Algumas semanas depois fui a um retiro espiritual. No encerramento, tive um encontro transformador com Jesus. Estava perdido, mas fui encontrado. Do céus, recebi vocação para o ministério pastoral. O Senhor me chamava para abraçar jovens como minha mãe fizera comigo. Dedico este texto a Maria, minha mãe, e a todas as mães que não desistiram de seus filhos. O abraço de uma mãe pode transformar um filho. Um filho transformado pode mudar realidades. Feliz dia das mães!

NOTA
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Foto: Unsplash (2019)

sexta-feira, 10 de maio de 2019

TEÓLOGOS DE INSTAGRAM?

Teólogos de Instagram? Este é o título do meu texto de hoje. Resolvi escrevê-lo, pois, há tempos observo, sobretudo nas redes sociais, muitos se manifestando como teólogos. Creio haver uma explicação sociológica para o fenômeno, mas a constatação prática é que após o advento da Internet todo mundo hoje é construtor de teologias. O engraçado nessa história toda é que essa galera malemá leu algum livro da Bíblia e na maioria das vezes, não estão envolvidas com algum trabalho prático em suas comunidades de fé isso quando fazem parte duma comunidade de fé. Todos são teólogos? Teoricamente, não. Eu mesmo, que possuo formação acadêmica em Teologia e sou pastor numa denominação evangélica histórica, passo longe do labor teológico, visto que, teólogos são aqueles que vivem de refletir, escrever e produzir teologia. Essa é a resposta técnica a pergunta: “Todos são teólogos?” Agora, se o meu intento fosse responder a mesma pergunta baseando-me no que acontece no mundo virtual, eu responderia que sim. Na era digital em que vivemos, todos são, ou melhor, se consideram teólogos. Essa realidade se constata nos posts de Instagram. São tantas frases, conceitos e pré-conceitos teológicos, emitidos com arrogância por pessoas de bagagem teológica quase nula, que até parece que estamos na Alemanha do século 19, com toda a sua efervescência teológica. O problema dos chamados teólogos de Instagram, é que estes, por detrás de suas críticas e achismos, escondem uma vida de reflexão rasa e uma fé mortificada. Eles estão em busca de significado e relevância. Buscam tresloucadamente, demonstrar um intelecto brilhante e uma capacidade de reflexão acima da média, quando não possuem bases sólidas na vida. Aos teólogos de instagram, deixo o seguinte conselho: antes de ler Agostinho, Barth, Bultmann e tantos outros teólogos brilhantes, leiam a Bíblia Sagrada. Só se pode compreender e discernir muitos conteúdos, quando se tem uma vivência com Palavra de Deus. Qualquer grande teólogo cristão sério, comungou ou comunga do seguinte princípio: o conhecimento verdadeiro e profundo, nos torna humildes, porquanto, na absorção dele, nos defrontamos com a nossa incapacidade, limitação e ignorância. Nem todos são teólogos!

NOTA

Foto: Unsplash (2019)

PARABÉNS, GRETA!

Ao contrário do que dizem muitas vozes, dentro e fora do mundo religioso, acredito na mudança que as novas gerações realizarão em nosso mundo. Aqui e acolá, levantam-se jovens promovendo a justiça social. O símbolo dessa nova onda de jovens promotores da justiça em nosso mundo, é a adolescente sueca, Greta Thunberg, de apenas 16 anos. Há um ano, Greta empreendeu uma ação individual de protesto contra a omissão do governo de seu país em relação ao Aquecimento Global. A menina que inicialmente não foi levada a sério, influenciou um movimento de protesto e de conscientização mundiais sobre as mudanças climáticas. Em entrevista a revista Rolling Stone [1], Greta relatou a pergunta que fizera aos seus pais quando do momento de sua decisão de protesto: “Qual é a utilidade de estudar para o futuro se esse futuro parece que não existirá?Greta e muitos outros jovens ao redor do mundo estão apresentando uma resposta a esta pergunta. Neste ano, Greta foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Se ganhar, marcará história como a pessoa mais jovem a receber a honraria. Que Deus levante mais Gretas em nosso mundo!

NOTA

Foto: The Guardian (2019)

[1] Texto digital, Acessível em: https://www.rollingstone.com/politics/politics-news/climate-change-greta-thunberg-activist-803631/(Acessado em: 10 de maio de 2019)

segunda-feira, 6 de maio de 2019

QUEM PENSA DIFERENTE DE VOCÊ NÃO É SEU INIMIGO!

Segundo os pesquisadores da Universidade de Harvard, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, autores de “Como as democracias morrem” [1], estudo recente sobre o fenômeno de desintegração democrática mundial, são duas as normas fundamentais da democracia: tolerância mútua e reserva institucional. Conforme os autores, "a tolerância mútua diz respeito à ideia de que, enquanto nossos rivais jogarem pelas regras institucionais, nós aceitaremos que eles tenham direito igual de existir, competir pelo poder e governar” [2]. Não quero aqui incorrer na pretensão de fazer análise política sobre a atual conjuntura, mas exprimo minha sincera preocupação com o modo que conceito de alteridade tem sido tratado em nosso país. Conforme o pensamento dos autores citados, a democracia se fundamenta na tolerância e na convivência com o diferente. O que temos visto no atual momento de efervescência política, é exatamente o contrário do princípio democrático. Quem pensa diferente é visto como um inimigo a ser abatido! Não há debate de ideias, tampouco diálogo sincero. Ninguém mais ouve ninguém. O país está dividido entre quem é de “direita” e quem é de “esquerda”. Esse maniqueísmo ideológico tem afetado relacionamentos interpessoais e minado as forças democráticas de nossa nação. Se, por exemplo, alguém se manifesta a favor da família tradicional e dos “bons costumes” é tachado de reacionário, neofascista e de bolsolavista. Quem se levanta em defesa das minorias, em prol dos direitos humanos e da igualdade, é achincalhado como baderneiro, defensor de bandido e imoral. Lamentavelmente há um reducionismo irracional pairando sobre nós. Há pouco equilíbrio nas análises conjunturais. Há pouca ou quase nenhuma sobriedade na avaliação dos fatos. Há apenas um resquício de racionalidade no debate público (debate que é travado no novo espaço público que são as redes sociais). Sinceramente tudo isso me assusta. Não tem como, diante disso, não pensar sobre algumas questões. Qual o é caminho e quais são os descaminhos de uma nação onde a tolerância aos que pensam diferente é quase nula? Aonde iremos chegar? Penso que o remédio para essa surdez e falta de sensibilidade ao próximo, é o bom e velho diálogo, onde um fala e o outro escuta. Faço uso das palavras do psicanalista Contardo Calligaris, que em sua penúltima coluna na Folha de São Paulo [3], disse: “Quando as pessoas se falam, descobrem que concordam mais do que discordam [], por exemplo, que sejamos de esquerda ou de direita, queremos que todos tenham uma vida decente, a discórdia é sobre os meios para chegar lá”. Precisamos nos falar mais. Ouvir o que o outro tem a dizer. Só assim construiremos uma sociedade mais democrática e mais livre. Eu o conclamo ao diálogo. Ouça as pessoas e não se esqueça de que quem pensa diferente de você não é seu inimigo.

NOTAS

Foto: Unsplash (2019)

[1] Ziblatt, Daniel & Levitsky Steven. Como as democracias morrem. São Paulo: Zahar, 2018.

[2] 118 p.

[3] Texto digital, Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2019/05/os-debates-e-os-silencios.shtml (Acessado em 6 de maio de 2019)

domingo, 5 de maio de 2019

ADOLESCENTES "PODRES DE MIMADOS'.

Há pouco li o ensaio “Podres de mimados: As consequências do sentimentalismo tóxico” [1], do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple. O texto trata de forma ácida, os efeitos colaterais do romantismo no comportamento contemporâneo no Reino Unido. A análise de Dalrymple é muito pertinente se aplicada ao nosso contexto. Aqui no Brasil, a exemplo do Reino Unido, encontramos uma geração de jovens “podres de mimados. Estes são conhecidos dentre outras coisas, por se escorarem no arrimo de “vítimas sociais” para evitarem dessa forma, o enfrentamento da vida como ela é. Este comportamento de vitimização social é claramente visto na nova geração de adolescentes. Conhecidos como Geração Z, e atualmente como Geração I (de internet, iPhone), a nova geração de meninos e meninas nascidos a partir de 1995, é a mais infantilizada de todos os tempos. Segundo a pesquisadora da Universidade Estadual de San Diego, Jean M. Twenge, em seu livro IGen[2], a presente geração é caracterizada por crescimento emocional lento, insegurança psicológica, isolamento relacional, insegurança financeira e indefinição identitária. De modo ímpar, a garotada é dominada por um sentimentalismo infantilizante, que afeta desde o seu desempenho escolar aos seus relacionamentos familiares. É comum, por exemplo, encontrar meninas de 15 anos que não sabem arrumar o próprio quarto ou meninos da mesma idade que nunca andaram sozinhos de transporte público. À medida que esse fato social se desenvolve, outro processo contribui para o apodrecimento emocional de nossos jovens. O fenômeno overparinting[3], que é o excesso de cuidado e intervencionismo dos pais na vida dos filhos. Segundo os estudos de Julie Lythcott-Haims [3], ex-reitora da Universidade de Stanford, a atitude superprotetora dos pais em relação aos filhos, gera adultos imaturos. No Brasil essa geração de "adultos crianças" é conhecida como "geração canguru", composta de adultos de 25 a 34 anos que ainda moram com os pais. Isso é um retardamento social e os principais responsáveis são os pais que superdirecionam e superajudam seus filhos. No mundo hiperconectado em que estamos, tudo concorre para que os adolescentes se tornem apáticos, medrosos e irresponsáveis. A tendência natural das coisas é o quadro piorar. Infelizmente essa é a outra face da moeda. As implicações da geração “podre de mimada” está para além do nosso olhar e percepção sociais. Como será o mundo daqui a 20 anos? De que forma se dará as relações no plano emocional? Como uma geração fraca e medrosa enfrentará os grandes desafios planetários? Essas e outras perguntas devem ser pensadas e respondidas não só por estudiosos, educadores, ministros religiosos, mas também, e principalmente, pelos adolescentes e pelos pais dos adolescentes. Acredito que os pais são chave na modificação dessa situação e na interrupção dessa triste tendência. O meu apelo aos pais de adolescentes é que não superprotejam seus filhos. Deixe-os sofrer por suas más decisões, para que dessa forma cresçam e aprendam a se emancipar como futuros adultos numa sociedade que implica muitas demandas e decisões. Imponha tarefas cotidianas aos seus filhos. Isso lhes introjetará um senso de responsabilidade e de satisfação interiores. Antes que me questionem com qual experiência estou dizendo tais coisas, lhes respondo: com a experiência de alguém que não foi superprotegido pelos pais.

NOTAS

Foto: Unsplash (2019)

[1] Dalrymple, Theodore. Podres de mimados: As consequências do sentimentalismo tóxico.São Paulo: Editora É realizações, 2011.

[2] Twenge, M. Twenge. iGen. São Paulo: Nversos editora. 2018.

[3] VEJA, edição 2 437 - ano 48 - nº 31, págs. 15,18 e 19. 05 de agosto de 2015

sexta-feira, 3 de maio de 2019

DEPRESSÃO: A IMPERFEIÇÃO NO AMOR!


“A depressão é a imperfeição no amor”. Com esta frase, o jornalista Andrew Solomon, inicia o primeiro capítulo de “O demônio do meio-dia”, obra magistral sobre a depressão e tida por muitos como a “Bíblia da depressão”. A depressão nos tira a capacidade de amar. Nos isola, nos retrai, nos encaramuja... Por ser uma patologia da mente, ela age nas instâncias do pensamento. É como se houvesse um verdugo dentro da mente torturando-a, agredindo-a, reprimindo-a e turvando-a. Segundo Solomon, a depressão é como uma “árvore trepadeira” que se agarra ao deprimido, sufocando-o até o ponto de fazê-lo não distinguir mais o seu ”próprio ser" do “ser da depressão”. A única alternativa ao deprimido é correr da depressão. Não há meio-termo. Ela precisa se cansar. Do contrário, ela não o abandonará. Como a ferrugem corrói o ferro, ela assim o fará ao indivíduo deprimido. Estou escrevendo tudo isso, de “um lugar de fala”. Há um ano, fui diagnosticado com a doença. Foi uma luta. Como milhões de pessoas no mundo, me tornei um consumidor de sertralina. A solução medicamentosa surtiu efeitos colaterais em mim. Me sentia a maior parte do tempo, como um zumbi emThe Walking Dead”. Eu “não era eu”, como costumava dizer. Hoje, estou bem melhor! Me recuperando a cada dia. Fui dispensado do medicamento antidepressivo. Assim, sigo, desprezando a depressão como se ela não existisse, ou como se estivesse morta. Tenho recebido cura por meio dos relacionamentos interpessoais e através de minha fé em Jesus. Este, é um pequeno relato de muitos que farei daqui em diante. Espero que você tenha se identificado, ou, ao menos, refletido com o que escrevi.

NOTA

Foto: Sydney Sims (2019)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

BÍBLIA: ASSUNTO DO CORAÇÃO!


Lembro-me como se fosse hoje o dia em que ganhei a minha primeira Bíblia. Eu tinha dez anos de idade e foi no dia do meu aniversário. Quem me presenteou foi a minha mãe. Nunca me esquecerei daquela pequena Bíblia de capa preta, e também do momento em que a peguei nas mãos. Foi a partir daquela experiência que comecei a me familiarizar com esse livro que é o mais amado e estigmatizado da história. A Bíblia (transliteração do termo grego “βίβλια” que significa: livros ou escritos), sem sombra de dúvidas, é o livro mais lido e estudado que se tem notícias. As bases da civilização ocidental foram lançadas sob seus princípios ético-morais. Por séculos foram muitos os que tentaram neutralizar o seu poder transformador, como o imperador romano, Dioclesiano, que no século IV, ordenou que todos os seus exemplares fossem queimados. A Bíblia tem sido alvo de ataques dos mais diversos. Alguns teólogos se ocuparam em sistematizar correntes de pensamentos que questionam a confiabilidade e veracidade dos relatos bíblicos. Segundo tais movimentos teológicos, a Bíblia é apenas literatura, por isso, deve ser despida de toda abordagem sobrenaturalista. No século XVIII, o grande pensador francês Voltaire, havia afirmado que dentro de um período de cem anos a Bíblia se tornaria um livro esquecido. Hoje a sua casa é ocupada pela Sociedade Bíblica de Genebra e a Bíblia é o livro mais vendido do mundo. No século passado, mais precisamente no ano de 1981, a Academia Francesa de Ciências apresentou 51 “fatos” que supostamente refutavam a fidedignidade da Bíblia. Hoje nenhum desses “fatos” podem ser sustentados segundo o método histórico-crítico de interpretação textual. A Bíblia passou por esses e por muitos outros ataques e ainda hoje, continua sendo amada, apreciada e respeitada por milhões de pessoas em todo o mundo. A sua força e o seu poder de fascinação, encontram-se no cerne de sua mensagem. Diferentemente de qualquer outro compêndio bibliográfico, a Bíblia possui uma mensagem homogênea: de Gênesis a Apocalipse (do primeiro ao último livro da Bíblia), o enfoque é o amor de Deus pelo ser humano corrompido. Falar sobre a Bíblia, para mim, é assunto do coração, pois, foi por meio desse livro que eu espiritualmente me encontrei com Deus. Hoje sei quem sou, porque, sei quem Deus é. Só pude crescer no conhecimento de Deus por meio da leitura e meditação da Bíblia. Creio que a Bíblia é aquilo que a Teologia Cristã Ortodoxa a define: Palavra Inspirada por Deus (“theopneustos”: soprada por Deus). Não pretendo através deste texto, provar a fidedignidade da Bíblia. Na verdade, essa nunca foi a proposta dos autores bíblicos, tampouco a dos primeiros cristãos. A Bíblia foi escrita para comunicar o amor de Deus pelo ser humano. Deus ama você! Você só poderá conhecer esse amor e suas implicações, por meio da leitura desse livro. Se você tem sede de um amor maior para a sua vida, tome a decisão de estudar a Bíblia. Faça isso com uma mentalidade aberta; livre ao livre-pensamento. Questione, compare e critique os relatos bíblicos. Use todas as ferramentas da crítica literária; mas faça isso com o desejo de encontrar a verdade. A Bíblia age como um espelho da alma; quanto mais a lemos e refletimos com seriedade sobre seus princípios, mais enxergamos e descobrimos quem realmente somos. Leia a Bíblia e abra o coração para a sua mensagem.

NOTA

Foto: Unsplash (2019)
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