sábado, 23 de julho de 2016

MISHA GLENNY E O DONO DO MORRO

Em novembro de 2011 o Brasil parou. Um fato ganhou notoriedade. Jornais, revistas e noticiários de TV cobriram (tal qual uma cena de Reality Show), o misterioso aprisionamento daquele que era o maior traficante de drogas do Rio de Janeiro, o Nem da Rocinha. A mídia caiu de pau em cima do traficante, demonizando-o como se o mesmo fosse o causador direto de toda violência e mazela que grassam no Rio de Janeiro. Os debates pipocaram. Nem, o traficante da Rocinha, era apenas mais um sociopata ou um subproduto de um Estado falido? Dependendo do viés político postulado, se traçava um perfil de Nem. Para os mais conservadores, Nem, não passava de um criminoso maldoso que vilipendiou o Estado. Para os mais progressistas, ele era a vitima de uma sociedade aristocrática que segrega os mais pobres. O tempo passou, o assunto esfriou e a história de Nem ficou restringida a mais uma de centenas de histórias de narcotraficantes cariocas. Com o intuito de resgatar a discussão que se levantou em torno da prisão de Nem, o jornalista e historiador britânico Misha Glenny, autor de McMáfia e de Mercado Sombrio, se esmerou a pesquisar o histórico do traficante e o entrevistou pessoalmente na prisão. Após um período intensivo de imersão na favela e de entrevistas com moradores da Rocinha, amigos, parentes e inimigos de Nem, Misha Glenny produziu o livro O dono do morro. O livro relata a queda e a ascensão de Nem, deixando claro por meio de toda a narrativa histórica, que Nem é uma grade vítima de um Estado falido e arcaico. Li O dono do morro em 24 horas, dado a sua linguagem energética e enredo envolvente. A meu ver, a obra de Misha Glenny é singular, a pesar de figurar diante de tantas outras boas obras do gênero, tais como Abusado de Caco Barcelos e Cidade partida de Zuenir Ventura. Confesso que o livro mudou a minha forma de enxergar a dinâmica do narcotráfico e a entender o que o descaso do Estado em relação aos mais humildes, produz na própria sociedade. Indico a leitura de "O dono do morro". Vale super a pena. Siga o Cristo crucificado!

NOTAS

A imagem do texto retrata Misha Glenny na favela da Rocinha e foi retira do site globo.com

quarta-feira, 20 de julho de 2016

STRANGER THINGS: A SÉRIE IDEAL!

No último final de semana pude assistir os oito episódios de Stranger Things; a mais nova série produzida pela Netflix. Confesso que foi uma experiência extremamente inesquecível e  agradável. A série, arquitetada pelos criativos irmãos Duffer, é ambientada nos anos 1980 e exibe os looks e toda parafernália tecnológica que caracterizavam o período. Logo de cara me senti atraído pela trama de Stranger Things, pois além da ambientação nos anos oitenta (o que muito me fascina, pois nasci nessa década) o roteiro desenvolve-se a partir da amizade de quatro amigos que estão iniciando a adolescência. Stranger Things dialoga com produções cinematográficas de Stephen King, J.J. Abrams e Steven Spielberg. Talvez esse seja o elemento que dá grande poder de atração a série, pois tanto pessoas beirando os 30 como eu, quanto adolescentes na faixa dos 15, já assistiram ou pelo menos ouviram falar de filmes como, ET - O extraterrestre, Super 8 e A hora do pesadelo.  A meu ver, também há uma pitada bem leve e remota da saga As crônicas de Nárnia na maioria dos episódios de Stranger Things. A série além de tudo é uma grande lição sobre o poder da amizade. Acredito que esse é o ponto alto da produção. Pelo forte vinculo de amizade das personagens, um mundo desconhecido é revelado e muitas descobertas são feitas. Como dito pelos autores da série, o que define Stranger Things, é "o extraordinário encontrando o ordinário" [1]. Para aqueles que gostam de aventura lúdica misturada com suspense, Stranger Thing é a série ideal. Vale a pena conferir. Siga o Cristo crucificado!

NOTAS

[1] Texto digital, disponível em:  http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-122134/ (acessado em: 20 de julho de 2016)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

HÁ VIDA FORA DAS REDES SOCIAIS!

Estou de férias! Isso é como um oásis, após dois anos sem desfrutar este período de descanso necessário. Nessas minhas férias (duas semanas até o momento), tomei a decisão de me desligar das redes sociais on-line. Já são 15 dias completos sem Twitter, Facebook, Instagram e SnapChat. O que tenho aprendido nesses dias sem redes sociais? Ah, muitas coisas. Gostaria de revelar 3 lições aprendidas por mim, nesse tempo de desprendimento cibernético. Vamos lá. A primeira lição que aprendi, é que a minha presença diária e massiva nas redes sociais é extremamente irrelevante. Em duas semanas ausente, já pude constatar isso. Fora das redes sociais não perdi nada substancialmente importante. Nenhum convite, nenhuma proposta, nenhum aviso imperdível me fora feito. Ninguém que precisou se comunicar comigo por esses dias, deixou de fazê-lo ao não conseguir me contactar pelas vias das redes sociais. O fizeram por e-mail, sms ou por ligação direta. A segunda lição aprendida foi a seguinte: sem as redes sociais o meu tempo produtivo triplicou. Em 15 dias fora das redes li sete livros. Estudei mais. Separei tempo maior para a reflexão e oração. O meu tempo produtivo aumentou expressivamente. A terceira e última lição que eu aprendi nesse período sem redes sociais é que o uso da rede social sem planejamento pode sugar e minar o meu entusiasmo. Só lembrando que emprego a palavra entusiasmo propositalmente, pois seu significado etimológico é "ter um deus interior" ou "estar possuído por Deus". É comum nas redes sociais nos depararmos com conteúdos, imagens ou comentários que "nos tiram a paz". Isso nos rouba o entusiasmo. De repente ficamos sem animo ou alegria para fazer as coisas do dia-a-dia. Recluso das redes sociais, sem sombra de dúvidas, me sinto muito mais entusiasmado com a vida cotidiana. Enfim, essas são as três lições que tenho aprendido nesses dias felizes de férias  e que creio ser importante compartilhar. Com certeza vida fora das redes sociais! Siga o Cristo crucificado!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

PORNOGRAFIA: MOCINHA OU VILÃ?


Em maio de 2016 recebi um convite da revista PSICOLOGIA da Mythos Editora para colaborar com um artigo sobre o tema pornografia. Abaixo, na integra, o texto que enviei a edição da revista:


Como a maioria, cresci com intensa curiosidade pelo sexo oposto. Além de uma ou outra expedição com o intuito de ver as dançarinas dos programas de TV do domingo a tarde, a minha inocência permaneceu intacta até eu completar 10 anos – quando a minha primeira exposição à pornografia de verdade a estraçalhou. O meu primo Allan, também com 10 anos, descobrira algumas playboy escondidas. Isso o deixou radiante como se acabasse de encontrar um tesouro oculto ao se vangloriar de sua descoberta para mim. As imagens obscenas daquelas revistas ainda hoje assombram as minhas lembranças. Após aquela experiência, desenvolvi um comportamento compulsivo pela pornografia, o que me gerou certa dependência emocional por esse comportamento que perdurou por um longo período da minha adolescência. Até os 16 anos me tornei um voraz consumidor de pornografia. A cada novo acesso precisava de material pornográfico com conteúdo mais pesado. Aquilo havia se tornado um circulo vicioso, onde precisava de uma dosagem maior e mais explicita para poder sentir prazer. Os efeitos colaterais do consumo da pornografia experimentados por mim foram os mais diversos. Desde sentimentos de inferioridade e angústias a comportamento antissocial e culpa. Naquela época, o consumo que eu regularmente fazia da pornografia gerava em mim, pulsão sexual desmedida, o que me atrapalhava na interação com as meninas, pois as enxergava como meros objetos sexuais. Aquele foi um período muito triste da minha história. Por triste que pareça, essa é a regra. De acordo com um levantamento de 2002 da revista Landon School of Economics [1], nove em cada dez crianças de 8 e 16 anos vê pornografia on-line. Ou seja, 90% delas. De acordo com o mesmo levantamento, na maioria dos casos as crianças relataram ter visto algo acidentalmente, em geral enquanto faziam o dever de casa e usavam um mecanismo de busca com uma palavra de aparência bastante inocente. Isso é algo que deveria realmente nos chamar a atenção, pois a inocência das nossas crianças e adolescentes está sendo devastada pela pornografia. Na minha experiência, como pastor de jovens de uma igreja batista, tenho aconselhado diariamente grande número de jovens consumidores de pornografia. A maioria desses jovens teve o primeiro contato com a pornografia ainda na infância e é claramente visível em suas vidas, as sequelas sociais causadas por esse comportamento. Conheço pelo menos cinco jovens rapazes que tiveram a interrupção de seus casamentos por causa da dependência da pornografia. Segundo eles, a pulsão sexual que lhes era natural, era direcionada para a pornografia, o que lhes diminuía a libido e o desejo sexual por suas parceiras. A falta de desejo sexual por parte deles, em seus casamentos, acarretava falta de intimidade com suas parceiras. Disso, decorriam brigas e mais brigas, até enfim, chegarem ao divórcio. Invariavelmente, pessoas que abusam da pornografia tornam-se imorais e superficiais. Segundo o psicólogo James Dobson [2] muitos desses jovens na idade adulta desenvolverão interesse por perversões sexuais. Eles desejarão o que há de mais perverso sobre a face da terra, como aconteceu com o maior serial killer da história dos Estados Unidos, Ted Bundy, que em sua última entrevista em rede nacional no ano de 1989, revelou ter ingressado em suas perversões sexuais e ter matado 35 mulheres, após o contato com material pornográfico em sua infância. A maioria das pessoas percebe que alguma coisa está errada, mas está confusa quanto as consequências da pornografia. Especialmente para aquelas que não tiveram contato direto e espontâneo com a pornografia, o complexo debate técnico e filosófico sobre o assunto parece transformar em bom aquilo que é ruim. Consequentemente somos tentados a evitar a controvérsia, deixando-a para os que parecem saber do que estão falando. Racionalizações complexas repetidas com seguro otimismo pelos especialistas em arte, literatura, política e filosofia, psicologia e psiquiatria e até pelos ministros religiosos, fazem calar aqueles que intuitivamente se opõe a pornografia. Diante de posicionamentos contrários e favoráveis a pornografia, duas questões sérias precisam ser respondidas. A pornografia é realmente um comportamento doentio ou é um comportamento que traz beneficio social? Ela é a mocinha ou a vilã? Nos parágrafos acima, tentei por intermédio de relato autobiográfico, exposição de dados estatísticos e também com experiência de campo responder a primeira pergunta, comprovando a nocividade da pornografia para a vida do indivíduo. Mas, abordar a questão principal da pornografia sem prejulgar seu conteúdo total não é tarefa fácil para os que têm uma cosmovisão religiosa, assim como eu. É necessário responder a segunda pergunta. A pornografia traz beneficio social? É provável que a mais influente defesa da pornografia já publicada seja a baseada na evidência contida no Presidential Commission Report on Obscenity and Pornography (Relatório da Comissão Presidencial sobre Obscenidade e Pornografia) [3], de origem norte-americana, publicado em 1970. A comissão foi criada em 1967, como resposta a preocupação que dominava os Estados Unidos de que sérias consequências poderiam advir do crescimento da pornografia.O relatório baseava-se na mais vasta evidência disponível naquela época. Organizaram-se pesquisas para investigar os possíveis efeitos da pornografia nas atitudes e comportamento. Analises, questionários e pesquisas em laboratório procuraram medir a excitação e o comportamento bem como identificar atitudes e valores de grupos de indivíduos normais e anormais. As pesquisas destinadas a colher a opinião pública evitaram o termo negativo pornografia, substituindo-o pela expressão material de sexo explicito. Esses trabalhos encontraram apenas grande variedade e diversidade. Alguns dos entrevistados expunham seu ponto de vista de que o material de sexo explícito poderia ser informativo, outros sentiam que podia ter um impacto adverso, enquanto outros acreditavam não ter qualquer efeito significativo. Até que a Comissão Presidencial Norte-americana sobre Obscenidade e Pornografia publicasse seu relatório em 1970, havia pouca dúvida na opinião pública de que o acesso a material pornográfico na comunidade era prejudicial. De fato, pesquisas de opinião pública indicavam isto de claramente. No entanto, diversos estudos apresentados àquela comissão deram amplo destaque à conclusão oposta, isto é, de que benefícios sociais reais poderiam surgir com a permissão para a livre circulação deste material.Foram os estudos realizados na Dinamarca e apresentados por B. Kutchinsky e R. Bem-Veniste, que forneceram uma firme sustentação para tal crença. A descoberta mais marcante foi que, em Copenhague, durante um período (1959-69) [4] quando estava aumentando a difusão da pornografia, o número de crimes heterossexuais registrados pela polícia caiu por volta de 63%. Bem-Veniste sugeriu que pelo menos parte do declínio devia-se, possivelmente, à “capacidade da pornografia pesada de canalizar o comportamento potencialmente anormal para o auto-erotismo inofensivo”. O estudo de Kutchinsky indicou que outra vantagem da legalização era uma redução de mercado para a pornografia. Sua pesquisa mostrou que o número de livros pornográficos publicados caiu drasticamente de 1.208.000, em 1968, para simplesmente 116.000 em 1969 [5]. Ele também fez um relatório a respeito do comportamento dos consumidores e concluiu que os dinamarqueses perderam rapidamente o interesse pela pornografia, deixando o mercado bastante dependente do comércio turístico. Para os países que começavam a inquietar-se com o crescimento da pornografia e, ao mesmo tempo, ansiavam por cultivar a liberdade de expressão, tais considerações eram muito bem-vindas, pois parecia que a remoção das restrições da censura contra a pornografia seria acompanhada de um beneficio social real. Kutchinsky argumentou também que, se o comercio da pornografia fosse legalizado, a comunidade seria amplamente beneficiada. Em virtude de a “máfia pornô internacional” sair rapidamente de cena, a diminuição da atividade criminosa poderia ser esperada. Além do mais, a desagradável incumbência de localizar a polícia para realizar com mais eficiência outros deveres. Os riscos de suborno e corrupção da polícia também seriam menores. Os estudos de Kutchinsky apresentaram os três principais argumentos favoráveis à legalização da pornografia no nível social: (1) redução dos crimes sexuais, (2) redução do mercado para a pornografia, e (3) redução do crime organizado (por exemplo, a máfia). A previsão de redução nos crimes sexuais de um pequeno estudo levado a efeito em Copenhague e relatado à comissão dos estados Unidos. A evidência deste declínio almejado foi analisada criticamente por diversos autores e julgada insuficiente. Ela apresentou falhas técnicas, os números não estavam de acordo com as fontes oficiais das quais supostamente vinham, e os resultados nunca foram reproduzidos ou confirmados em qualquer outro lugar. Novas pesquisas tem surgido com o intuito de comprovar os benefícios sociais da pornografia. Mas, assim como as pesquisas empreendidas por Kutchinsky, tem se comprovado tecnicamente imprecisas, o que invalida o argumento de que a pornografia traga algum tipo de beneficio social aos seus consumidores ou a sociedade como um todo.Os defensores da pornografia alegam que o que estão tentando corrigir são as inibições de nossos instintos devido às tradições pudicas – eles estão tentando nos libertar. Estão tentando, declaram, capacitar-nos para sermos mais cheios de vida e afetivos – para sermos mais “nós mesmos”, no campo sexual. O que tais defensores ignoram, são os inúmeros estudos que associam a pornografia a uma atitude negativa em relação à intimidade. Susan Fiske, professora de psicologia na Universidade de Princeton, usou exames de ressonância magnética em 2010 [6] para analisar homens enquanto assistiam filmes pornô. A atividade do cérebro revelou que esses homens passavam a olhar para mulheres mais como objetos do que como pessoas depois de assistirem filmes pornô compulsivamente. Uma gama de estudos semelhantes corrobora os malefícios gerados pela pornografia. A conclusão a que se chega, é que a pornografia não traz nenhum beneficio social, ao contrário, serve apenas apara agravar as mazelas dos indivíduos que fazem uso dela. Levando em conta a análise feita, a primeira coisa que podemos dizer, então, é que a pornografia é contra a vida. Rejeitá-la não é ser negativo quanto a vida. Ao contrário, é a própria pornografia que é niilista, redutiva e destrutiva. Ela é uma influência negativa na sociedade e na vida individual. Particularmente, a pornografia é contra as relações e, assim, contra a família. Por meio de sua obsessão pela prática sexual, a pornografia evita cautelosamente qualquer reconhecimento do valor das relações familiares. O casamento é ridicularizado, a promiscuidade é promovida, as relações incestuosas são celebradas e o sexo grupal é defendido. A sexualidade está totalmente relacionada à unidade da família e seu uso para a satisfação fora de um relacionamento é destrutivo. A reação mais óbvia à pornografia é defender a censura do conteúdo. Acredito que não devemos nos envergonhar de defender a censura. Mas precisamos levar em conta o fato de que essa é uma complexa questão legal e política. A censura sozinha não pode eliminar o problema da pornografia. Seu monstruoso crescimento é alimentado pela decadência espiritual e moral e pela perda de valores. No inicio deste artigo relatei o meu próprio drama com a pornografia. Dos 10 aos 16 anos me tornei dependente da pornografia. Era algo que eu não conseguia vencer. No máximo ficava uma ou duas semanas sem consumir pornografia. Não conseguia romper esse limite de tempo. Minhas quedas eram recorrentes e deprimentes. A minha cura adveio de uma experiência de fé. Aos 16 anos me converti ao cristianismo. Os ensinos do cristianismo sobre o valor e centralidade do corpo, mudaram a minha forma de pensar e enxergar a minha própria sexualidade. Por meio de meditação e orações, o poder escravizador da pornografia foi perdendo forças em mim. No lugar da pornografia, introduzi outros comportamentos que com o tempo tornaram-se hábitos saudáveis. Hoje posso dizer que sou livre da pornografia. Confesso que ainda travo uma luta diária para não ceder ao consumo da pornografia, mas a minha prática de fé tem me ajudado a viver livre desse comportamento. Para todos aqueles que ainda se encontram em dúvidas sobre os malefícios da pornografia, digo por experiência própria, que a pornografia é a vilã e não a mocinha da história de milhões de vidas que vivem escravizadas a esse comportamento doentio. Em minha vivência tenho visto inúmeras pessoas tendo seus relacionamentos interpessoais sendo destruídos por isso. Os efeitos causados pela pornografia na vida de tais indivíduos tem sido sem sobra de dúvidas, mortificantes e destrutivos. Para outros, que se identificam como dependentes desse comportamento deixo o meu exemplo de superação e uma nota de esperança. Você pode viver livre da pornografia. Escolha uma nova jornada de vida, onde novos hábitos serão introduzidos no lugar da pornografia. Siga o Cristo crucificado!


NOTAS


[1] apud Groeschel, Craig, Estranho, ser normal não está dando certo, São Paulo: Editora Vida, 2010.

 
[2] Dobson, James, Vivendo nos limites, São Paulo: United Press, 1998.

 
[3] Presidential Commission Report On Obscenity and Pornography (Nova Iorque: Bantam, 1970), Parte 3, cap. 2, PP. 197-309

 
[4] B. Kutchinsky, The Effect of pornography on sex crimes in Denmark (Copenhague: New Social Science Monographs, 1970), p. 101

 
[5] B. Kutchinsky, “Eroticism without Censorship”, International Journal of Criminology and Penology, 1 (1973), 217-25

[6] Texto digital, Disponível em: http://rodolfocapler.blogspot.com.br/2013/12/as-consequencias-do-vicio-da-pornografia.html (Acessado em: 15 de junho de 2016)




SEJA LIVRE DA PORNOGRAFIA!

De acordo com um levantamento de 2002 da revista Landon Shool of Economics [1], nove em cada dez crianças entre 8 e 16 anos vê pornografia on-line. Segundo o mesmo levantamento, mais de 1/3 dos websites adultos é visitado por mulheres. Talvez você se assuste com a conclusão dessa pesquisa, mas a verdade é que o número de consumidores de ponografia pode ser muito maior. Hoje em dia, poucos são os jovens que nunca acessaram algum site da INTERNET com conteúdo pornográfico. Antigamente o acesso a qualquer conteúdo pornográfico era muito mais restrito, apenas as locadoras de filmes e as bancas de jornais promoviam o contato com esse tipo de conteúdo. Já nos dias de hoje, basta um click e pronto; você esta na terra dos prazeres. O acesso irrestrito a pornografia tem gerado pelo menos duas consequências gravíssimas na vida dos implicados: a compulsão sexual e a liquidificação da alma. A cada dia que passa, tenho conversado com grande número de jovens viciados em pornografia. A compulsão que esses jovens têm pela pornografia, é a mesma que um dependente químico possui pelas drogas. Para esses jovens, a pornografia tornou-se um tipo de droga sem a qual eles não conseguem viver. Se, estão tristes, acessam pornografia, e se estão felizes, também o fazem. A compulsão é uma das gravíssimas consequências do consumo da pornografia, pois escraviza pessoas nas instâncias emocional e  espiritual. O vício da pornografia é o que impede muitos jovens de caminharem com Deus. Após os dez primeiros minutos de prazer, vem a culpa e a tristeza que corroem a alma. Outra triste consequência do consumo da pornografia é a liquidificação da alma. Pessoas viciadas em pornografia tornam-se superficiais e imorais. Muitos desses jovens viciados, na idade adulta desenvolverão interesse por perversões sexuais. Eles desejarão o que há de mais pervertido sobre a face da terra, incluindo molestamento de crianças, assassinatos simulados, violência homossexual, sexo entre mulheres e animais, sexo com mortos, espalhar fezes sobre o corpo, etc.[2] Pessoas assim não conseguem expressar seus verdadeiros sentimentos e desenvolvem uma autoimagem distorcida. Isso acontece porque, quando nos submetemos a um processo de deturpação de nossa própria sexualidade, a nossa alma é plenamente afetada. Você é aquilo o que reproduz em sua sexualidade! Se você reproduz uma sexualidade responsável e debaixo da vontade de Deus, então você é alguém responsável e temente a Deus. Se, pelo o contrário, você expressa uma sexualidade irresponsável e distante da vontade de Deus, então você é alguém assim. A compulsão gerada pela pornografia contribui diretamente para a formação de jovens emocionalmente perturbados e confusos. A alma de quem consome pornografia torna-se uma pasta, saindo do seu estado natural de concretude e desembocando num estado de liquidificação. Quando a alma de alguém entra num processo de liquidificação, tal pessoa perde a sensibilidade, desenvolvendo uma consciência cauterizada pelo pecado. Esse é o motivo pelo o qual muitos jovens viciados em pornografia, já não sentem mais culpa ou alegria após a prática de tal hábito. Tornam-se neutros em suas próprias almas, pois suas almas se encontram liquidas. É muito tristes ver essas consequências se manifestarem na vida de muitos jovens. No seu grande clássico “Vivendo nos Limites” o psicólogo e escritor cristão James Dobson conta a história de Ted Bundy, um dos maiores matadores em série da história dos E.U.A. Ted Bundy, que havia matado pelo menos vinte e oito mulheres e garotas contou que a sua iniciação nesse caminho de perversão começou aos treze anos de idade, quando por um acaso ele descobriu umas “revistas sujas” em um depósito de lixo perto de sua casa. Segundo Bundy, à medida em que o tempo passava ele se tornava mais e mais viciado em imagens violentas de revistas e vídeos. Começou então a se excitar com imagens de mulheres sendo torturadas e mortas. Quando ele se cansou disto, existia apenas uma rota que seu vício poderia seguir; da fantasia para a realidade. Foi então que Ted Bundy começou a estuprar e matar mulheres. Quando finalmente ele foi preso, foi julgado culpado e sentenciado à morte por matar uma garota de doze anos de idade e jogar o seu corpo num chiqueiro. Após mais de dez anos de apelos e manobras legais, um juiz deu ordens para a sua execução. Naquela mesma semana, ele pediu para o seu advogado ligar para o doutor James Dobson para uma entrevista. Abaixo, partes selecionadas dessa entrevista:


DOBSON: você me pediu para vir aqui, desde a Califórnia, porque tinha algo que gostaria de dizer. Você realmente sente que a pornografia explícita e violenta, e a porta de entrada para ela, a chamada pornografia erótica, têm causado danos indescritíveis a outras pessoas e feito com que outras mulheres sejam molestadas e assassinadas, do mesmo modo que você fez?


BUNDY: Ouça! Eu não sou um cientista social, e não fiz nenhuma pesquisa, quero dizer, eu não finjo saber que o João Cidadão pensa a respeito disso. Mas já faz bastante tempo que eu vivo na prisão. E encontrei muitos homens que, assim como eu, foram motivados à violência. E sem exceção alguma, todos eles estiveram profundamente envolvidos com pornografia; posso afirmar que,  sem a menor exceção, estes homens foram profundamente influenciados e consumidos pelo vício da pornografia. Não existe dúvida a respeito disto. O próprio FBI tem um estudo sobre homicídios em série que mostra que entre este tipo de assassinato existe o interesse comum pela pornografia.


DOBSON: Agora eu realmente gostaria de entender o que você está dizendo. Você foi o mais longe possível nas suas fantasias com materiais impressos, e então sentiu a necessidade dar alguns pequenos ou grandes passos para a realidade física?


BUNDY: Minha experiência com pornografia, que lida com a sexualidade num nível de violência é que uma vez viciado (eu vejo isso como um tipo de vício) como qualquer outro tipo de vício… eu só ficava procurando material cada vez mais detalhado, mais potente, mais desejoso de algo mais e mais forte. Algo que dê a você uma sensação ainda mais forte de excitação. Até que você chega a um ponto além do qual a pornografia não pode ir. Esse é o ponto de corte, em que começa a imaginar se você obteria o que anseia, caso fizesse com as próprias mãos o que vai além do que está escrito ou retratado ali.


DOBSON: Você acha que merece a punição que o estado infligiu a você?


BUNDY: Esta é uma boa pergunta, e eu vou respondê-la honestamente. Eu não quero morrer, mas certamente mereço a mais extrema punição que existir na sociedade, e também acho que a sociedade merece ser protegida de mim e de outros como eu. Mas, esta é a ironia, já que estou falando de algo que vai além da retribuição, porque a minha morte de maneira alguma poderá restituir  aquelas belas crianças para seus pais, corrigir os meus erros e aliviar a dor deles. Mas eu digo a você que hoje existem muitas outras crianças brincando nas ruas pelo o país afora, que poderão ser mortas amanhã, depois de amanhã e no próximo mês, porque estão disponíveis na mídia.


DOBSON: Como você disse na noite passada, você aceitou o perdão de Jesus Cristo, e que agora você O segue e crê nEle. Você se sente fortalecido através desse perdão nestas horas finais?


BUNDY: Sim. Eu não posso dizer que andar pelo vale da sombra da morte é algo a que me acostumei, ou que eu seja forte, ou que nada mais me aborrece. Não é nada divertido. Eu me sinto bastante solitário, e além de tudo isso, tenho que me lembrar a mim mesmo que cada um de nós irá atravessar esse vale algum dia, de um jeito ou de outro… e que um incontável número de pessoas que passaram por esta terra antes de nós já passaram por isto, logo, esta é uma experiência que todos nós compartilhamos. Aqui estou eu prestes a experimentá-la. Um dia depois dessa entrevista,Ted Bundy morreu na cadeira elétrica. Ele deixou o seu testemunho de vida para nos prevenir do poder destrutivo da pornografia. Se você tem compulsão pela pornografia, creia: ela pode destruir você! Para se livrar desse vício, é necessário cura na alma. A cura desse vício vem quando entregamos o controle de nossas vidas a pessoa de Jesus Cristo e também quando procuramos alguém que compartilha da fé nEle e nos abrimos para essa pessoa contando o nosso problema. Faça isso hoje; confesse esse problema para alguém que serve a Jesus Cristo e se entregue totalmente a Ele. 


NOTAS

[1] apud Groeschel, Craig, Estranho, ser normal não está dando certo, São Paulo: Editora Vida, 2010.

[2] Dobson, James, Vivendo nos limites, São Paulo: United Press, 1998.
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