Hoje pela manhã ao abrir a revista Veja, me deparei (em suas páginas amarelas), com a entrevista de Julie Lythcott-Haims, ex-reitora da Universidade Stanford, falando sobre o fenômeno da obsessão dos pais em guiar a proteger seus filhos, o chamado overparenting. Li a entrevista e acredito que o fenômeno ganhou contornos globais, pois aqui em Piracicaba, no contexto no qual me encontro, identifico essa realidade. No meu trabalho religioso com adolescentes tenho presenciado o fenômeno overparenting. São pais que superprotegem seus filhos a ponto de torná-los nulos em suas decisões e ações. Por exemplo, conheço meninos de 17 anos que nunca circularam sozinhos dentro de um transporte coletivo. Parece estórinha, mas é verdade. Na minha experiência relacional com os adolescentes da presente geração, cheguei aos seguintes dados estatísticos: 99% das meninas de 15 anos não sabem cozinhar; sequer sabem fritar um ovo. 90% dos meninos de 16 anos nunca arrumaram o próprio quarto. Na minha época (quem diria que um dia diria "na minha época" rsrsr), as meninas de 15 anos ajudavam seus pais em algumas tarefas domésticas. Os meninos de 16 anos, em sua grande maioria, pensavam em arrumar um emprego e ter seu próprio dinheiro. Hoje, os adolescentes, quase e em sua totalidade, são irresponsáveis. Isso se deve não somente a constante presença da tecnologia, mas sobretudo, por conta da intervenção dos pais na vida dos seus filhos. Segundo os estudos de Julie Lythcott-Haims, a atitude superprotetora dos pais em relação aos filhos, gera adultos infantilizados. No Brasil essa geração de "adultos crianças" é conhecida como "geração canguru", composta de adultos de 25 a 34 anos que ainda moram com os pais. Isso é um retardamento social e os principais responsáveis são os pais que superdirecionam e superajudam seus filhos. No mundo hiperconectado em que estamos, tudo concorre para que os adolescentes se tornem apáticos, medrosos e irresponsáveis. A tendência natural das coisas é o quadro piorar. Assim como a ex-reitora da Universidade Stanford, acredito que os pais são chave na modificação dessa situação e na interrupção dessa triste tendência. O meu apelo aos pais de adolescentes é que não superprotejam seus filhos. Deixe-os sofrer por suas más decisões, para que dessa forma cresçam e aprendam a se emancipar como futuros adultos numa sociedade que implica muitas demandas e decisões. Imponha tarefas cotidianas aos seus filhos. Isso lhes introjetará um senso de responsabilidade e de satisfação interior. Antes que me questionem com qual experiência estou dizendo tais coisas, lhes respondo: com a experiência de alguém que não foi superprotegido pelos pais. Hoje, graças a Deus e a atitude deles, sou um cidadão de bem. Siga o Cristo crucificado!
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
segunda-feira, 24 de março de 2014
UMA CONVERSA LIBERTADORA!
No começo do ano de 2011, me matriculei num curso teológico na cidade de São Paulo. A experiência de adentrar um ambiente acadêmico e teológico, tem me desafiado a pensar de forma autêntica aquilo que todo mundo comumente pensa. A própria essência do labor teológico é o pensamento autentico e pratico onde se organiza aquilo que se pensa sobre Deus, o homem e a relação Deus/homem. Um dos assuntos sobre os quais mais tenho pensado é sobre a vontade e soberania de Deus. Desde muito cedo, aprendi na escola bíblica dominical, que Deus tem uma vontade específica para todas as pessoas e que, o grande segredo da vida, seria o descobrimento e a experimentação dessa vontade. Seguindo esse conceito teológico, é que muitos jovens ainda hoje, oram juntos antes de namorar, e se descabelam para escolher uma profissão. No ano de 2007 chegou em minhas mãos o livro: “Como fazer e compreender a vontade de Deus”, dos autores, Garry Friessen e Robin Maxson. Para mim, ler esse livro, foi como ter tirado uma venda dos olhos, sobretudo no que diz respeito a esse assunto da vontade de Deus. Segundo os seus autores, a vontade de Deus para nós, é que andemos em seus caminhos em concordância com a sua Palavra. O que passar disso, é decisão pessoal de cada um. Portanto, se hipoteticamente estou querendo namorar, e tenho como opções, duas moças, sendo uma loira e a outra, uma moreninha, não devo orar a Deus pedindo esclarecimento sobre qual delas é a opção correta para mim. O que preciso fazer numa situação dessas, é escolher a opção que melhor se encaixa no meu perfil. Deus não me castigará se eu optar por aquela que mais me agrada. A vontade de Deus sempre passará pelo o crivo de nossas escolhas, diz Garry Friessen e Robin Maxson. Após o contato com essa obra teológica, me senti mais leve e mais desencanado em relação a vontade de Deus para minha vida. Mas, ainda assim guardei algumas dúvidas e suspeitas em relação a esse assunto. Uma grande dúvida que ainda continuei abrigando na mente e no coração, foi sobre a relação entre soberania de Deus e o livre-arbítrio humano. “Se Deus está sujeito as minhas escolhas e decisões pessoais, então Deus está preso a postulados teológicos e por definição ele não é soberano”. Essa era a minha suspeita em relação a essa forma de se pensar a vontade de Deus. Entendi o conceito da vontade de Deus expresso no livro “Como fazer e compreender a vontade de Deus”, como sendo o mais bíblico e racional. Mas, ainda não estava disposto a amarrar Deus nesse posicionamento teológico. A minha libertação, ou seja, o esclarecimento das minhas dúvidas e suspeitas, se deu por meio de uma conversa libertadora que tive com um grande amigo, há uns quatro anos. Estávamos saindo de uma culto de domingo, em nossa igreja e enquanto conversávamos no caminho de volta para casa, chegamos ao assunto da vontade de Deus. Naquele momento, uma "ficha caiu" na minha mente, e assim, amadureci as minhas idéias e conceitos a respeito do tema, chegando a algumas conclusões. As conclusões a que cheguei foram as seguintes: Deus quer que tomemos decisões sérias e maduras e para nos ajudar nesse processo, ele escolheu respeitar o nosso livre-arbítrio. Inferi também, que a vontade de Deus está envolta por um paradoxo. Deus comumente não opera através de uma vontade específica, mas em muitos casos, ele assim o faz. Deus é soberano. Sua soberania implica em desfazer regras e postulados teológicos. Ele é o Deus que lhe permite escolher a loira ou a moreninha, abençoando-o independente de qual seja a sua escolha. Mas, ele também é o Deus que direciona você a escolher a loira ou a moreninha, abençoando-o conforme a sua escolha. Pense e amadureça, mas, não tente prender Deus em nenhuma doutrina ou regra teológica. Lembre-se: Deus não pode ser estudado! Siga o Cristo crucificado!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
NINGUÉM MUDA! ESSA É A VERDADE!
Sou
considerado por muitos como alguém extremamente extrovertido. Gosto muito de
falar, e quando falo, o faço em tom alto, gesticulando e interpretando o que
digo. Este sou eu! À longo prazo, não consigo me relacionar pelas vias da
formalidade. Gosto de rir e de me divertir em meus relacionamentos. Hoje sou
muito bem resolvido a respeito disso e me aceito tranquilamente, pois sei que
Deus me ama e que me criou do jeito que sou. Mas isso não foi sempre assim. No
início de minha adolescência enfrentei muitas lutas internas por ser extrovertido. Muitos reclamavam do meu jeito. As vezes eu tentava fazer
greve de palavras, mas sempre que isso acontecia eu me sentia muito mal.
Demorou algum tempo para eu entender que as mudanças que ocorriam em mim eram
sempre comportamentais e nunca estruturais. Estruturalmente serei sempre alguém
com a tendência de falar bastante. De forma alguma poderei me tornar uma pessoa introvertida. Deus me criou assim! As mudanças que em mim ocorrerão,
serão sempre comportamentais. Posso com a ajuda de Deus, me tornar um pouco
mais comedido no modo de me expressar, mas ainda sim, serei uma pessoa extrovertida. Não aceitar isso é lutar contra a minha própria natureza.
Como disse acima, já fiz isso durante alguns anos e não deu certo. Era um tipo
de automutilação. É muito ruim cometer automutilações. Dói muito, e no final das contas não resolve
nada. Apenas nos sentimos mal, como um peixe que tenta sobreviver fora da água.
Há muitos que por não entenderem isso, estão sofrendo automutilações. Vejo isso sempre. Pessoas tentando mudar suas próprias
estruturas através de comportamentos. No fundo, acho isso muito engraçado. Dou risadas
algumas vezes. Vejo caras sensíveis, posando de durões, pessoas extrovertidas fazendo grave de palavras e
seres introvertidos, dando
uma de falastrões. Essas são as tentativas comportamentais de mudar as
estruturas criadas por Deus. Essas tentativas só geram frustrações, legalismos
e aprisionam a alma de qualquer pessoa. Precisamos fugir disso, aceitando-nos
como somos. Você é você, quer queira, quer não queira. Se você é extrovertido
igual a mim, será sempre extrovertido. Se você é introvertido, precisa aceitar a
realidade de que sempre será assim. As mudanças que Deus realizará em nós serão sempre comportamentais, nunca
estruturais. Baseado nisso é que digo: nunca vou mudar! Nunca vou mudar na minha estrutura, como pessoa
falante, comunicativa. Em outros aspectos preciso de mudanças. Termino deixando
um conselho para você: seja você mesmo; não queira ser alguém que você não é.
Siga o Cristo crucificado!
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
DEUS ESTÁ NO CONTROLE MESMO?
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
TROCAMOS O CÉU POR UM "I POD"?
É impossível
falar de verdadeira fé cristã sem se falar na existência do céu. A ênfase das
páginas do Novo Testamento,é a vida eterna; o paraíso; a nova Jerusalém. A
crença na existência do céu é o que tem capacitado milhões e milhões de
cristãos no decorrer da história, a sofrerem em nome de Cristo. Os nossos
antepassados cristãos não só acreditavam no céu como também o aspiravam. Para
se ter uma idéia de como o céu estava presente na liturgia dos antigos
cristãos, folheie os antigos hinários cristãos. Noventa por cento dos hinos de
antigamente, tinham o céu como enredo. Os tempos passaram e as ênfases mudaram
nos círculos cristãos. Hoje valoriza-se muito o domínio terreno. Até os anos de
1990 era comum ver automóveis com adesivos contendo a frase “ Maranata” (Vem, Senhor). Já nos nossos dias a fraseologia é
outra. O que está em pauta é que “O Brasil
pertence ao Senhor Jesus”. Queremos dominar,
imperar, comandar, triunfar... Não queremos mais o céu. Trocamos o céu pelo o
carro do ano, pela TV de plasma, pelo “I Pod” e por tantas outras produções humanas que acalentam transitoriamente
o nosso anseio sobrenatural pela eternidade. Não pensamos mais no céu, mas
inconcientemente o desejamos como nunca antes. Essa é a tampa do quebra-cabeça
das desilusões humanas: a busca desenfreada e inconsciente pelo céu. Nas
madrugadas frias de São Paulo, pode-se encontrar pessoas procurando o céu em
cachimbos de crack e em restaurantes caros. A busca pelo céu está em todos os
lugares. Está nos jovens que vão todos os finais de semana na balada. Está no
religioso que observa critérios legalistas todos os domingos numa igreja
evangélica, no marido que trai a esposa. O anseio pelo céu está nas artes, nos
esportes, no amor e em tudo o que é humanamente belo. Precisamos voltar
as raízes cristãs e desejar o céu conscientemente. Deus colocou o céu em nossos
corações como está escrito em Eclesiastes (3.11). A nossa vivência cotidiana, é
uma vivência a procura do céu. Como disse Leonardo da Vinci: “Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com
seus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você desejará
voltar”. O céu é uma realidade espiritual. Deseje-o com uma consciência sadia. Siga o Cristo crucificado!
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