quinta-feira, 27 de setembro de 2018

SOU PASTOR E LUTO CONTRA A DEPRESSÃO.

Talvez você esteja assustado com essa minha declaração. Sim, é isso mesmo. Logo eu que sempre ajudei quem lutava contra a depressão. Fui diagnosticado há cerca de 8 meses. Estou me tratando, fazendo uso de medicamentos, praticando atividade física e nutrindo meu coração com a fé em Jesus. Alguns questionarão: “Será que ele está em pecado?”, outros dirão: “Ele precisa buscar mais a Deus!”. Sinceramente eu não me importo com isso. Me preocupo na verdade, com pessoas que também estão padecendo do que eu padeço. Eu sei o que é sofrer preconceito de gente próxima, que acha que todo depressivo é louco. Sei como é chato e inconveniente ir à farmácia comprar sertralina, com medo de alguém descobrir que tomo remédio controlado. Sei como é ser mal compreendido por muitos que acham que o que o tenho é preguiça ou meramente frescura. Eu entendo como é ficar algumas noites sem dormir por causa de insônia. Sei de verdade como é ruim ter de lidar com as oscilações de humor; em duas horas nos tornamos anjos e demônios. Nos primeiros meses, após ser diagnosticado com transtorno depressivo, me pus a ler tudo o que tive acesso sobre o tema. Gostei muito de “O demônio do meio-dia” de Andrew Solomon. A primeira frase do livro foi a que mais me impactou. Solomon diz: “A depressão é a imperfeição no amor”. É bem isso. A depressão tirou de mim a capacidade de amar e de receber amor. Me levou ao isolamento das pessoas mais próximas a mim. Me fez encaramujar. Ela também se agarrou a mim, a ponto de eu acreditar que ela jamais me abandonaria. Em muitos momentos eu surtei. Fui completamente dominado pela tsunami de pensamentos negativos que teimavam em assolar a minha mente. Em alguns momentos pedi para que Deus me levasse com ele. Com a depressão descobri o lado cinza da vida, ou como qualquer deprimido dirá, o lado real da vida. Na verdade, esse é o grande problema de toda pessoa que sofre de depressão. Acreditamos profundamente que enxergamos a verdade. E é essa “verdade” que nos mata. Nem sempre essa “verdade” que enxergamos, é verdadeira. Tenho aprendido a duvidar dela. Isso tem me feito um bem enorme. O que toda pessoa com transtorno depressivo precisa entender é que o que mais se quer evitar no estado de depressão, é o que de fato nos cura. O antídoto para depressão é o amor. Mas como a pratica do amor só existe em relação a outrem, o que nos cura são os relacionamentos. Não há outro meio. Pouco a pouco estou melhorando. Estou quase 100 % . O relacionamento com Jesus é o que tem me sustentado nessa batalha. O relacionamento com outros irmãos em Cristo e com meus familiares é o que tem aberto os meus olhos para as reais possibilidades de futuro que me geram esperança. Resolvi escrever isso tudo, pois sei que tem muita gente que sofre calada. Há muita gente que se sente incompreendida. Muitos outros já desistiram de viver. Estão entregando os pontos. Que este meu relato, simples, mas sincero, possa trazer algum conforto ao seu coração. Que você apenas saiba, que eu sei como é. Eu me importo. Que você entenda também, que há esperança. Não desista! Jesus de Nazaré está vivo e quer te ajudar, assim como tem me ajudado. Siga o Cristo crucificado!


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