sábado, 23 de julho de 2016

MISHA GLENNY E O DONO DO MORRO

Em novembro de 2011 o Brasil parou. Um fato ganhou notoriedade. Jornais, revistas e noticiários de TV cobriram (tal qual uma cena de Reality Show), o misterioso aprisionamento daquele que era o maior traficante de drogas do Rio de Janeiro, o Nem da Rocinha. A mídia caiu de pau em cima do traficante, demonizando-o como se o mesmo fosse o causador direto de toda violência e mazela que grassam no Rio de Janeiro. Os debates pipocaram. Nem, o traficante da Rocinha, era apenas mais um sociopata ou um subproduto de um Estado falido? Dependendo do viés político postulado, se traçava um perfil de Nem. Para os mais conservadores, Nem, não passava de um criminoso maldoso que vilipendiou o Estado. Para os mais progressistas, ele era a vitima de uma sociedade aristocrática que segrega os mais pobres. O tempo passou, o assunto esfriou e a história de Nem ficou restringida a mais uma de centenas de histórias de narcotraficantes cariocas. Com o intuito de resgatar a discussão que se levantou em torno da prisão de Nem, o jornalista e historiador britânico Misha Glenny, autor de McMáfia e de Mercado Sombrio, se esmerou a pesquisar o histórico do traficante e o entrevistou pessoalmente na prisão. Após um período intensivo de imersão na favela e de entrevistas com moradores da Rocinha, amigos, parentes e inimigos de Nem, Misha Glenny produziu o livro O dono do morro. O livro relata a queda e a ascensão de Nem, deixando claro por meio de toda a narrativa histórica, que Nem é uma grade vítima de um Estado falido e arcaico. Li O dono do morro em 24 horas, dado a sua linguagem energética e enredo envolvente. A meu ver, a obra de Misha Glenny é singular, a pesar de figurar diante de tantas outras boas obras do gênero, tais como Abusado de Caco Barcelos e Cidade partida de Zuenir Ventura. Confesso que o livro mudou a minha forma de enxergar a dinâmica do narcotráfico e a entender o que o descaso do Estado em relação aos mais humildes, produz na própria sociedade. Indico a leitura de "O dono do morro". Vale super a pena. Siga o Cristo crucificado!

NOTAS

A imagem do texto retrata Misha Glenny na favela da Rocinha e foi retira do site globo.com

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