quarta-feira, 30 de março de 2016

VOCÊ ESTÁ APAIXONADO (A)?



Nós fazemos parte de uma sociedade extremamente passionalista. Para constatar isso, basta dar uma olhada na internet a procura das músicas mais baixadas e acessadas. Você verá que 90% delas falam sobre paixão em suas letras. Se você for ao cinema, perceberá que a maioria dos filmes em cartaz abordam o tema. Os livros também não ficam de fora; grande parte dos best-sellers de hoje em dia, contém ideias passionalistas. Em meio a essa realidade, é quase impossível não se apaixonar. Na verdade, somos ensinados e temos uma pré-disposição a isso. Apaixonar-se é uma espécie de status em nossa cultura que valoriza tanto as emoções. Pode ser que neste atual momento de sua vida você esteja apaixonado (a), ou talvez você esteja a procura de uma nova paixão. Isso parece legítimo e inofensivo, mas nem sempre  o é, pois a paixão é essencialmente dominadora. Segundo o dicionário Michaelis, o significado da palavra paixão é: "1. Sentimento forte, como o amor, o ódio etc. 2. Movimento impetuoso da alma para o bem ou para o mal. 3. Mais comumente paixão designa, atração de um sexo pelo outro. 4. Gosto muito vivo, acentuada predileção por alguma coisa. 5. A coisa, o objeto dessa predileção. 6. Parcialidade, prevenção pró ou contra alguma coisa. 7. Desgosto, mágoa, sofrimento prolongado. 8. Os tormentos padecidos por Cristo ou pelos mártires". A paixão sempre nos domina e nos arrasta para algum lugar. Há muitos que estão sendo arrastados para longe de Deus, dos amigos e até mesmo de seus pais, por causa de um sentimento passional que nutrem por alguém. A paixão romântica com certeza tem aspectos bons, mas o que quero enfatizar neste texto, são os seus efeitos colaterais. Há algum tempo foi realizada uma pesquisa na Europa, onde constatou-se que a paixão romântica dura apenas de 6 meses à 2 anos[1]. Depois disso vem a frieza, pois relacionamentos que se baseiam na paixão, acabam em indiferença. A paixão também muitas vezes nos deixa iludidos. Há muitas garotas exaltando o sapo, achando que ele é um príncipe. Por esses dias, eu estive aconselhando uma jovem de uns 20 anos de idade. Ela havia começado um relacionamento com um rapaz que não estava muito aí para Deus, igreja e espiritualidade. Ela foi em busca de conselho e eu lhe disse a verdade sobre o evangelho. No momento ela consentiu com a minha orientação. Depois de nosso encontro, fui surpreendido com a informação de que aquela mesma moça, estava muito magoada comigo, pois eu (segundo ela), não havia apoiado o seu namoro. Aquela garota reflete a marca da ilusão em sua vida. A paixão traz descontrole também. Nos faz agir como loucos. Por estarem apaixonadas, muitas meninas estão entregando sua virgindade, abrindo mão de seus valores e princípios. Muitos rapazes estão se distanciando de Deus, por se apaixonarem por garotas sem princípios e sem valores cristãos. Um exemplo de descontrole por causa de paixão foi o caso de Lindemberg e Elôa. Em 13 de outubro de 2008, Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, Eloá e sua amiga Nayara Silva. Após alguns dias sob o domínio de Lindemberg, Eloâ foi brutalmente assassinada por ele. Foi o maior crime de cárcere privado da história de nosso país, e foi motivado por paixão descontrolada. A paixão quando despertada sem amor, também traz destruição. Os jornais noticiam a cada dia, casos de jovens que se suicidaram por causa de paixão não correspondida. Outros estão sofrendo de depressão aguda. A respeito dessa realidade, uma verdade precisa ser guardada: a paixão é como um rio; quando está em suas margem tudo corre tranquilo, mas se saí de sua margem destrói tudo que está a sua frente. Como disse Blaise Pascal: "As paixões, quando mandam em nós, são vícios". Diante de todos os aspectos negativos da paixão romântica, talvez você esteja se perguntando: "Existe um antídoto para se livrar dessas marcas geradas pela paixão?". A Bíblia Sagrada nos ensina que esse antídoto é a atitude de se entregar diariamente a Deus. Na carta de Paulo aos Gálatas 5.21, diz: "Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e os seus desejos". Quais são as suas paixões? O que você precisa crucificar para Deus, hoje? Faça isso agora! Siga o Cristo crucificado.


NOTAS

[1]Texto digital, Disponível em:

<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14236.shtml> (Acessado em: 30 de março de 2016)

terça-feira, 22 de março de 2016

MINHA CONFISSÃO...



Sem demagogia e hipocrisia, quero fazer uma confissão e também falar sobre o que penso sobre a atual conjuntura política de nosso país. Como todo bom brasileiro que anseia por justiça e por um país melhor, nos últimos dias, fui tomado por um forte sentimento de indignação. Confesso que deixei a emoção tomar conta e em muitos momentos me exasperei e até mesmo ataquei com posts carregados de criticas e de indignação, amigos e pessoas que apoiam o PT e que são contrários ao pedido de impeachment da presidente Dilma. Também confesso que me arrependi das minhas atitudes de amargura e indignação e coloquei a cabeça no lugar. Este é um momento delicado, de grande convulsão social em nosso país. É natural a emoção falar mais alto e dessa forma sermos levados pelos nossos instintos de justicismo. O grande perigo nesse momento, é deixarmos a razão de lado e trilharmos o caminho da POLARIZAÇÃO. É o famoso "eles contra nós". Ontem, assim como no último domingo, participei das manifestações contra o governo Dilma. Me assustei, em dado momento da manifestação (em Piracicaba), quando ouvi alguns manifestantes gritando: "No Brasil bandeira vermelha nunca mais". Não sou da esquerda, mas sinceramente acredito que a democracia confere liberdade para uma bandeira vermelha (assim como a qualquer outra bandeira) governar, desde que o faça com seriedade e justiça, dentro dos parâmetros estabelecidos por nossa Constituição. Somente após o meu "arrependimento", foi que consegui pensar claramente, deixando a emoção cega de lado. Essa POLARIZAÇÃO, me assusta. Tenho ouvido pessoas falarem em "morte", "cadáver", "violência" e "guerra civil'. O extremo chegou ao ponto de pessoas vestidas com camisetas vermelhas, serem violentadas publicamente. Gente: não podemos perder a sobriedade! Como cidadão tenho minhas convicções políticas e me considero uma pessoa engajada. Sou a favor das manifestações, do impeachment, e da saída do PT do poder. Até mesmo estive nas manifestações e as divulguei. Como cristão, a minha ideologia e o meu senso de justiça precisam estar submetidos ao evangelho. O evangelho é a justiça de Deus que nos leva a gritar contra toda impunidade e corrupção. O evangelho, mesmo em meio as nossas diferenças, nos une. Acredito que agora é tempo de resolvermos algumas coisas em nossos corações. É tempo de nos arrependermos de algumas atitudes. É tempo sim, de se manifestar e de gritar pacificamente contra a corrupção que grassa em nossa nação, mas também é tempo de nos unirmos e de nos respeitarmos como concidadãos. É tempo de fazer amigos e não inimigos. É tempo de crescer. É tempo de orar pelo Brasil e pelo povo. Siga o Cristo crucificado!

quarta-feira, 16 de março de 2016

CRISTÃOS IDIOTAS



É triste de mais ver cristãos (e muitos são pastores e líderes), postando nas
redes sociais conteúdos que expressam sua alienação política, e que alienam seus pares. Esses podem ser chamados de idiotas segundo a concepção do filósofo Mario Sérgio Cortella, (pois a expressão idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política). Tudo o que diz respeito aos interesses da população, deve nos desafiar como cristãos e cidadãos. Não devemos nos mover apenas por aquilo que diz respeito a nós mesmos e aos nossos irmãos de fé. Somos concidadãos dos céus como diz a Bíblia Sagrada, mas também vivemos na Pólis. O problema é quando fazemos a divisão cristão/cidadão. Isso gera um estrabismo político. Há muitos cristãos politicamente estrábicos por aí, que não enxergam um passo a frente e por isso não sabem para onde o país está indo e muito menos se envolvem nas questões que se referem aos interesses comuns. A Igreja de Cristo deve denunciar, qualquer pecado social. Pecados sociais são pecados que estão na estrutura da sociedade, em nosso sistema político. Os casos de corrupção do petrolão, assim como a máfia das merendas são expressões de pecado social. O que está em questão em toda essa conjuntura de manifestações por toda a nação, é a ação de um sistema opressivo baseado no amor ao dinheiro e ao poder. Isso é contra a justiça de Deus, portanto, compactuar com essa torrente de pecado e corrupção, é tornar-se uma injúria ao ensino do Novo Testamento, que nos orienta ao engajamento no mundo. Cristãos idiotas, dizem: "A igreja não deve se envolver com política, pois ela está na terra para salvar mais almas e povoar o céu". Diante de argumentos dessa estirpe, respondo com os dizeres do saudoso pastor Robinson Cavalcante: "O ser apolítico é um escapismo, uma fuga, uma irresponsabilidade com sonora roupagem pseudo-inteligente. É uma racionalização, uma elaboração de desculpa para o indesculpável, revestida, no caso do cristão, de uma embalagem espiritual, uma espiritualização do pecado". Como bons cristãos devemos nos envolver ativamente com questões políticas, porque fomos colocados aqui por Jesus, como sal da terra e luz do mundo. Vivemos no mundo e não podemos nos isolar dele, de modo que o desprezo as coisas políticas é uma atitude de total covardia. Talvez esse desprezo ocorra por falta de instrução ou por uma compreensão equivocada da complexidade da fé cristã. À título de exemplo, há alguns dias, recebi de um irmão na fé a seguinte reprimenda: "Querido pastor Rodolfo precisamos orar. Não é nas ruas que ganharemos essa batalha". Como cristão, concordo que a oração é o principal fator de mudança social, e a primeira coisa que se deva fazer em prol de nosso país, mas o que me preocupou foi a sua atitude de inércia política. "Não é na rua que iremos ganhar essa batalha". Será mesmo? Acredito que na vida deste irmão de fé, assim como na vida de muitos outros, lhes falta aquilo que chamamos de utopia. "Utopia é babaquice", dizem. "O que esses manifestantes estão fazendo não passa de utopia, pois nada vai mudar", afirmam presunçosamente. Como disse Victor Hugo: "Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã". Queremos que conceitos se encontram apenas em nossas mentes e corações hoje, se tornem realidades amanhã. Que não deixemos de caminhar. Contemplar milhares de pessoas nas ruas de Piracicaba e tantos outros milhões nas ruas das principais cidades e capitais de nosso país, com faixas e cartazes, reivindicando seus direitos e denunciando a corrupção política em nosso país, é realmente utópico. A minha oração é que o meu coração se vicie em utopias, como disse o Frei Beto, e não em coisas sem valor. Para terminar, quero deixar claro, que há irmãos na fé que não saíram as ruas e muito menos apoiam as atuais manifestações por razões ideológicas e políticas. Não os chamo de idiotas. É a posição deles e devemos respeitar. O que me intriga e me motiva a escrever este texto, são os irmãos que acham extremamente espiritual a atitude de alienação política. Não sejamos idiotas! Siga o Cristo crucificado.
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