quinta-feira, 11 de julho de 2013

OS NAMORGADOS

Os namorados ainda têm dia? Ou este é o dia dos ficantes? O namoro, conforme o conhecemos, é um acontecimento recente e moderno. Até há menos de um século ninguém namorava como hoje se namora. O que hoje chamamos namoro, antes do tempo acima anunciado, era visto como fornicação, que era aquilo que em Roma acontecia sob o fórnice; ou curvatura de um arco, como nas pontes; lugar no qual, em geral, era possível fazer sexo em pé, com uma mulher, paga ou não. Fórnice. Sexo de rua. Sexo casual. Sexo do tesão súbito. Sexo ambulante. Sexo ficado...  Isso era fornicar; ou ficar sob o fórnice num ato sexual. Daí vem a palavra fornicação. Namorar, hoje, está mais pra fornicar no sentido etimológico do termo (ou seja: uma estada sem muita posição, como quem está sob a coluna e não à porta de casa ou mesmo na cama) — do que para aquilo que significa amorar; ou seja: o ato de amar alguém e expressar carinho ao objeto do amor de modo contínuo e comprometido. Por isso é que namoro é um estado de espírito e não uma estação do relacionamento, antes do compromisso do casamento. De fato, o verdadeiro namoro deveria ser o estado do casamento; e não um período anterior ao casamento. Casar namorando, namorar casando, casar-namorado, namorar-casado — equivale ao que Paulo disse: “Os casados sejam como se não fossem”. Está cada vez mais difícil um homem sério encontrar uma mulher sem longa experiência sob o fórnice.  Ficar é estar no fórnice. Claro que no fórnice nem todos trepam no arco por inteiro. Mas é o espírito do fórnice que prevalece na ficada. Hoje há meninos que ficam com 40 meninas numa noitada; e há meninas que ficam com 20 meninos no mesmo lugar e período. Ninguém sabe o nome de ninguém... É um corpo. É uma boca. É um par de peitos. De cochas. É uma fêmea. É um macho. É um número. É um holograma de carne. Isso quando é só uma esfregadinha e uma chupada no fórnice... De fato, vejo o que está acontecendo não com olhar moralista, que não possuo; mas sim com o olhar de quem vê os estragos para o espírito, para a saúde da alma, para o equilíbrio do ser.    As ficadas de hoje equivalem, em tempo fragmentado (conforme a época), aos namoros de ontem (ontem; digo: de até 15 anos atrás). Os namoros de hoje, na sua maioria, seriam vistos como pequenos casamentos; casamentos curtos e infelizes; ou amasiamentos levianos. E os casamentos de hoje seriam enxergados pelos que no passado se sentiam casados e com uma família a cuidar para sempre, como sendo apenas casos inconseqüentes. Isto dito; assim falo: para os que ainda namoram com amor e com carinho, com amizade e desejo, com cuidado e esperança, com apego ao hoje e vontade de que haja muitos amanhãs, quem sabe para sempre — desejo um feliz dia dos namorados.


 Nele, em quem sei que falo o espírito do Evangelho,




Por Caio Fábio



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